Pitoresca viagem Pitoresca

Nino Cais
30 de maio a 25 de junho de 2011
Terça a Sexta, das 11-19 h e
sábados das 11-17 h
Abertura sábado 28 de maio
das 12 às 17 h

Há 10 anos, Nino Cais vem construindo um mundo para si. Panelas, xícaras e bules de ágata, escovas, colheres de pau, espátulas e ferramentas para pequenos reparos domésticos são alguns dos objetos que estão à nossa volta, ou melhor, à volta do artista, e que em seus desenhos, fotografias, performances, vídeos e assemblages, vão dando vida a esse universo. Nele, habitam espécies de 'seres', metade pessoas, metade coisas, com seus rostos cobertos por objetos de uso cotidiano. Estes são como indícios de mundo, de um outro mundo, construído pelo artista a partir da coleção e agrupamento de objetos que reconhecemos e em uma espécie de tentativa de estabelecer uma relação menos automática com eles. Talvez por isso, Nino Cais tenha se interessado pelas pinturas de Jean Batiste Debret. Integrante da Missão Artística Francesa, que veio para o Brasil em 1816 formar a academioa de Artes e Ofícios (mais tarde Academia Imperial de Belas Artes), o pintor e desenhista francês viveu no Brasil por 15 anos. De volta a França, em 1831, publicou Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil (1834-1839), frequentemente analisada por historiadores como uma representação do cotidiano e sociedade do Brasil - mais especificamente do Rio de Janeiro - de meados do século XIX. Composto de 153 pranchas, acompanhadas de textos que elucidam cada retrato, o livro é dividido em três tomos: no primeiro estão representados índios, aspectos da mata brasileira e da vegetação nativa em geral. O segundo concentra-se na representação dos escravos negros, no pequeno trabalho urbano, nos trabalhadores e nas práticas agrícolas da época. Já o terceiro trata de cenas do cotidiano, das manifestações culturais, como as festas e as tradições populares. Nino Cais se apropria das reproduções dessas imagens em sua nova série de trabalhos. Em algumas cenas, as figuras têm seus rostos cobertos por adesivos circulares ou por outros elementos, como a cabeça de um animal. Em outras, cenas e paisagens são fragmentadas e reconstruídas a partir da colagem de pedaços de diferentes origens. Há ainda aquelas em que só vemos o que o artista não deixa velado. A partir desses deslocamentos e rearranjos, as imagens vão adquirindo novos significados, sendo vistas sob outros pontos de vista. Se até então a produção de Nino Cais parecia se interessar por dar forma a fantasias, a um mundo inventado, aqui parece que o interesse é captar uma outra realidade, oculta pelo universo que conhecemos. Olhamos as imagens criadas por Debret agora sob o ponto de vista desse narrador que não conhecemos. Descaracterizadas de seu sentido original, nos deixam ver algo como certa artificialidade. Tudo está tudo bem, ou pelo menos parece estar.
(Fernanda Lopes)

viagem
2011 | 2010 | 2009 | 2008 | 2007 | 2006 | 2005
Partilha | Grandes formatos | Sem Título # 1 - Experiências de Pós-Morte | Leo Ayres - Como Eu | Lucio Dorr - Sin Titulo | Daniela Antonelli - no processo | Nino Cais - Pitoresca viagem Pitoresca | Hildebrando de Castro - Janelas | Joana Traub Csekö - Passagens | Rocío Gordillo - Apropriações Perversas | Alfredo de Stefano - Onde o Horizonte Evapora | Gilvan Nunes - Delirios e Verão