El Deseo Y Lo Desable
Concebo a minha obra basicamente em função de gerar um elemento visual que
provoque algum tipo der experiência estética sensorial e desde o meu próprio
desejo subjetivo de realizá-lo, razão pela qual a minha produção é
fundamentalmente de objeto-escultura.
Poderia dizer que esta idéia é o pilar fundamental sobre o qual eu vou
adicionando informação formal e narrativa. É dizer, eu vou pondo a prova o
limite da autonomia do próprio objeto enquanto peso sobre ele variáveis que
vão desde o uso das cores até o conteúdo narrativo das diferentes situações.
Por outro lado, fatores como a recontestualização destas imagens e situações
suportam a recategorização de estereótipos e clichês sub-avaliados. Ao
apresentá-los de maneira tangível em forma de objetos e mostrá-los em volta
do que não são os habituais, geram certa tensão entre o olhar e a
interpretação que se costuma socialmente ter sobre temas como o erotismo, a
pornografia etc..., o olhar e interpretação que pede o mesmo tema representado
de maneiras e em lugares diferentes dando lugar a novos significados que
fluem desde o olhar hedonista até a contemplação reflexiva (talvez esta
última postura também influenciada por algum prejulgamento sobre como ficar
frente a uma "obra de arte", mas ainda assim, acontece e o resultado é
interessante).
O processo de realização da obra desde a idéia mesma não é menos importante.
Este é o momento onde se põe em jogo a minha própria subjetividade e
desejo.
Trabalho com a imagem da mulher. É dizer, não sobre a mulher, senão sobre a
sua imagem.
Em obras anteriores, partia de uma cuidadosa seleção de matéria fotográfica
tirado de revistas eróticas, vídeos pornográficos e páginas de Internet, que
logo materializaria em uma nova versão. Da materialidade de uma pessoa real
(modelo, atriz pornô etc) à virtualidade da Internet, revistas ou vídeos,
para logo recobrar materialidade, mas desta vez objetual (escultura).
As imagens escolhidas correspondiam à imagem construída para serem consumidas, relacionada com o erotismo, o sexo e o tipo de beleza adotada pela sociedade contemporânea para tais fins. As mulheres fotografadas e exibidas em
revistas ou na web existem e não existem à vez em tanto é uma ficção ou
construção artificial à medida do consumo massivo. Está temática tem mais
certa estrutura do imaginário erótico masculino do que no feminino.
Também falo desde a construção estética do objeto artístico da construção
estética do produto considerado não artístico.
Este é outro ponto em que insisto ao tentar questionar às vezes absurdas
fronteiras entre a arte e a pornografia, ou de como deve apresentar-se uma
situação erótica para ser lida como "artística".
Isto último pode desprender-se da leitura das minhas obras ainda que o
considero mais reflexão pessoal do que um elemento que necessariamente deva -se levar em conta.
Nas últimas obras há uma mudança fundamental no processo de realização que
defere com as anteriores, não tanto no formal mas no narrativo.
As fotografias com que trabalho atualmente, são tiradas por mim de mulheres
"reais" que conheço em diferentes situações, pelo qual em primeira instância
deixam de ser "inexistentes".
Devem ser lindas, mas não necessariamente padrão, respondendo a estereótipos
determinados. Uma vez mais entram em jogo os caprichos da minha
subjetividade. Poderia dizer talvez que a resolução estética continua
adquirindo "frivolidade", elemento que joga na minha opinião, de maneira
interessante em contraposição com os temas que toco neste caso não só se
limitam a sexo e erotismo, mas também faço alusão por meio do pranto à
tristeza.
Finalmente, s sensação é que com estes "retratos" destas mulheres está
mudando o rumo sobre a idéia de "a imagem consumível".
De todos as formas, a alusão sentimental joga seu roll não para comover mas
sim para ser contemplada.