Onde o Horizonte Evapora

Alfredo de Stefano
15 de Março a 15 de Abril de 2011

"(...) In the deserts of the heart, Let the healing fountain start, In the prison of his days Teach the free man how to praise"
(W.H.Auden)

O deserto, em sua vasta concepção, é um lugar que abriga inquietações,promove um relacionamento de poder e alimenta as questões racionais, e também aquelas mais espirituais que a arte tenta espelhar e traduzir. Já seduziu alguns importantes fotógrafos como Edward Weston e Richard Misrach, apenas para ficar com trabalhos que se distanciam em tantas décadas. Na obra de Alfredo De Stéfano, torna-se um épico dafotografia, cuja dicotomia se reveste da arte do espaço intocado e daintervenção humana. Alfredo De Stéfano assegura que se há espaços intocavéis é porque o homem ainda não chegou até eles. A proposta de "Replenishing Emptiness", série de 2002, abriga um caráter temporal em que o fotógrafo sugere existir o vazio porque não existe vida, e o que se encontra desumanizado é porque não é habitável. A fotografia se encarrega de registrar essa situação paradoxal, refletindo na arte seus signos e significâncias. O diálogo entre o ser e o espaço também é visível nas sua orientação para série "Brief Chronicle of Light"(2004). O que ele chama de intervenção única é a criação máxima de um artista visual. Ele apreende Heidegger, quando a arte não pode conquistar o espaço e sim representá-lo. Existe uma espécie de jogo mútuo em que o ambiente não é apenas um cenário e sim parte da sintaxe do artista. Ele é repleto de significados, ainda que esteja vazio, assim trazendo mais um paradoxo às nossas questões. Se existe um certo atavismo, exposto nas imagens de De Stéfano, este é ainda mais reforçado com asfotografias de seus "Ongoing projects" (2007-2008) produzidas no Atacama, no Sahara e na Austrália. A necessidade do artista em "abraçar" os lugares torna sua obracosmológica, ultrapassando as questões limítrofesde seu México natal. Alfredo De Stéfano, com suas "alucinações e sólidas geografias" remove assim, os obstáculos da contemporaneidade e - metaforicamente - o horizonte de todos nós. Ao erguer sua paisagem interior, no entanto, estes momentos fixados no inifinito não se evaporam, e sim, se materializam nas alegorias, com suas dúvidas e incertezas quanto a humanidade e seu destino mais premente.

Juan Esteves

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