Goiânia - Goiás, 1977
Vive e trabalha em São Paulo.
Frequentou cursos de fotografia na Universidade Católica de Goiás e na ESPM. Integrou o grupo de acompanhamento de processos artísticos com Juliana Monachesi e Guy Amado entre 2007 e 2008. Participa do Ateliê Fidalga, grupo de pesquisa coordenado por Albano Afonso e Sandra Cinto. É integrante do Ateliê 397, local de produção e exposição de arte contemporãnea.
Participou de exposição individual no Centro Cultural São Paulo e de exposições coletivas em instituições como Sesc Pompéia (2007, 2008), Galeria Municipal de Arte Victor Kursancew (2007), Museu de Arte de Ribeirão Preto Pedro Manuel Gismondi (2008), Fototeca Juan Malpica Mimendi (2008), Sesc Pinheiros (2009), Museu Victor Meirelles (2009) e Carpe Diem Arte e Pesquisa (2009).
Exposição Individual
2010 - Iniciação - Galeria Oscar Cruz, São Paulo/SP
2008 - I Mostra do Programa de Exposições - Centro Cultural São Paulo, São Paulo
Exposições Coletivas
2010 - Jogos de Guerra - Memorial da América latina, São Paulo
2010 - Ainda Desenho - Galeria Deco, São Paulo
2009 - Estranho Cotidiano - Galeria Movimento, Rio de Janeiro
2009 - Marcelo Amorim e Silvia Jábali - Ateliê 397, São Paulo
2009 - Arte Pará - Museu do Estado do Pará, Belém
2009 - Tempo <buscar> - SESC Piracicaba, Piracicaba
2009 - Realidades Impossíveis - Ateliê 397, São Paulo
2009 - Em torno de: nos limites da arte - Funarte, São Paulo
2009 - Ateliê Fidalga - Galeria Carlos Carvalho, Lisboa, Portugal
2009 - PhotoFidalga - Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lisboa, Portugal
2009 - Projeto Portfólio #5 - Aktuell, São Paulo
2009 - Gabinete - Museu Victor Meireles, Florianópolis
2009 - Realidades Imprecisas - SESC Pinheiros, São Paulo
2008 - Corpoinstalação - SESC Pompéia, São Paulo
2008 - Marcelo Amorim e Sofia Borges - Ateliê 397, São Paulo
2008 - 33º Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional-Contemporâneo, MARP, Ribeirão Preto
2008 - Realidades Impossibles - Fototeca Juan Malpica Mimendi, Veracruz, México
2008 - Intimidade Pública - E.D.E.Nº343, São Paulo
2007 - 13º Salão dos Novos de Joinville - Galeria Municipal de Arte Victor Kursancew,Joinville
2007 - Tripé | Tempo – SESC Pompéia, São Paulo
2006 - Mostra Verbo - Galeria Vermelho, São Paulo
2006 - Conexões Tecnológicas - Trabalhos (on-line) de artistas do Prêmio Sergio Motta de Arte e
Tecnologia e do Centro Universitário Senac, Senac Lapa Scipião, São Paulo
IMAGEM EM TRANSFORMAÇÃO
Fotografia de gaveta, alusão às fotografias amadoras que registram situações domésticas, como festas e viagens, dá nome à exposição que o artista Marcelo Amorim apresenta no Sesc-Pompéia.
São fotografias marcadas pelo limite extremo de aproximação com as artes gráficas e que põem em dúvida a sua origem tecnológica. Valorizando a ação e a transformação, as fotografias são apropriadas de desconhecidos e, com o auxílio de uma copiadora, são recortadas, ampliadas e
posteriormente reconstituídas.
Os atos realizados implicam uma operação no território da
subjetividade. Ao furtar as fotografias, o artista comete sua
primeira transgressão. A ação deste gesto recai menos no
conteúdo legal do ato, ingênuo aos padrões éticos e legais da
privacidade no nosso século, do que na sua intencionalidade:
a apropriação simbólica da história contida naquela
imagem. Amorim ainda executará outras intervenções que
transformarão essas imagens destituídas de sentido ao olhar
alheio em imagens dotadas de sentido transitivo no campo
artístico.
Sua segunda transgressão consiste no apagamento da
sustentação fotográfica. Esse processo se inicia com o
retalhamento da fotografia em fatias que conduzirão o olho
do observador a realizar um zoom que desvia a atenção da
integralidade para um campo macro da imagem. Em seguida,
cada fatia é ampliada em copiadora, equipamento que além
de promover a deformação cromática degenera a cópia e
ressalta as imperfeições não detectáveis no formato original,
resultando em uma imagem opaca, suja. São procedimentos
intencionais de subtração das características fotográficas e de
aproximação com as propriedades da arte gráfica. Ao utilizar
recursos como copiagem e recorte Marcelo insere atividades
do cotidiano na imagem – recursos de uso rotineiro nos
escritórios – e reitera o sentido da apropriação, agora
atuando na própria morfologia da imagem.
Na seqüência, o artista reconstitui as imagens. Tendo
como modelo a composição inicial, as folhas são dispostas
deixando aparente as junções entre elas e, em seguida, são
fixadas no painel. A escolha pelo método de colagem indica
a intenção de deixar aparente a fratura da imagem e, por
conseqüência, o processo de fragmentação. Esse recurso de
montagem sinaliza também a proximação com as propostas
de arte e propaganda do espaço público urbano, com o
lambe-lambe e o outdoor.
Apesar da descaracterização da imagem fotográfica, as três
operações de transfomação – furto, retalhamento e copiagem – são compreendidas como um gesto expansor que trata
a fotografia nas suas fronteiras. Nesse caso, a imagem
fotográfica se afasta das características industrialmente
pré-definidas para a câmera, como a captação e seus
valores iconográficos, para valorizar as possibilidades de
processamento da imagem, as mutações pós-produção e a
intervenção do artista. Amorim está reposicionando o universo
pessoal da foto-recordação guardada na gaveta do móvel de
um quarto de dormir em um símbolo transitivo no território da
subjetividade da arte.
Henrique Siqueira - pesquisador e mestre em Comunicação e Semiótica. São Paulo, 2007