Denver, Colorado – EUA, 1978
vive e trabalha no Rio de Janeiro.
Joana Traub Csekö cria mecanismos intrínsecos ao funcionamento de suas imagens, como segredos, que atraem e comunicam, mas simultaneamente desarmam o olhar do espectador. Imagens dissonantes, que querem de nosso olhar o tempo de cismar, mirar, e não a atenção intermitente e fragmentada do cotidiano imagético em que vivemos imersos. Na prática da artista, a fotografia torna-se uma forma possível de estar em contato com a sociedade contemporânea, de tornar visível, desvelar, através da captação e do subsequente engendramento do real, aspectos de nosso meio circundante tanto físico, quanto simbólico.
Dentre os trabalhos recentes da artista destacam-se a “série HU” (2008) e a “série “Passagens” (2010).
Joana Traub Csekö creates mechanisms that are intrinsic to the functioning of her images, secrets, which attract and communicate, but simultaneously relieve the eye of the spectator. Dissonant images, which ask for a contemplative gaze, instead of the intermittent, fragmented attention of the imagetic quotidian where we are submerged. In the practice of the artist, photography becomes a possibility to be in touch with contemporary society, to make visible, to unveil, through the assimilation and subsequent engendering of the real, aspects of our environment, both physical and symbolic.
Among the artist’s recent works are the “HU series” (2008) and the “Passages series” (2010).
excerto do texto “Ruínas do Futuro” de Beatriz Jaguaribe
Quem entre e sai do Rio de Janeiro não consegue deixar de ver a silhueta monumental e devastada do Hospital Universitário (HU) da UFRJ. Erguido às margens do mangue poluído e cercado pela imensa expansão da favela da Maré, o HU emerge como ícone desconcertante.
O hospital segue as linhas mestres do vocabulário modernista corbusiano expresso nos pilotis, brise-soleil, linhas geométricas e escala monumental. Desde sua fundação, o prédio tornou-se, simultaneamente, como bem expressa Joana Traub Csekö, uma construção e uma ruína, já que possui uma metade funcional que abriga o hospital, e outra metade que sempre foi vazia.
As imagens fotográficas de Joana revelam de forma instigante e arrebatadora, os enigmas deste paradoxo modernista. Suas fotografias tornam visível um edifício que assombrava a paisagem, mas que era visto e esquecido. Sob as lentes de Joana, o HU possui uma assinatura, é uma ruína do futuro que já chegou.
excerpt of the text “Ruins of the Future” by Beatriz Jaguaribe
Anyone leaving or entering the city of Rio de Janeiro cannot help to notice the monumental and devastated silhouette of the University Hospital (HU) of the Federal University of Rio de Janeiro. Built at the edge of the polluted marshes of Guanabara Bay and surrounded by the ever-growing expansion of the Maré Slums, the HU emerges as a bewildering icon.
The hospital building follows the guidelines of the modern-corbusian vocabulary, expressed by its pilotis, brise-soleils, geometric compositions and monumental scale. Since its foundation the building has become simultaneously a construction and a ruin, as Joana Traub Csekö well expresses. The building has a functional wing that shelters the university hospital, and another wing, that was never occupied, a vast emptiness.