Beatriz Chachamovits

nasceu em 1986 em São Paulo, cidade onde vive e trabalha.

É bacharel em artes plásticas pela Fundação Armando Alvares Penteado - FAAP, participou de mostras coletivas na Escola São Paulo, na Pinacoteca de Santos, no MARP (Museu de arte de Ribeirão Preto), no MACC ( Museu de arte contemporânea de Campinas) e da segunda edição da Feira de arte impressa no Espaço Tijuana.

Beatriz Chachamovits é nome que desponta com força na nova safra de artistas brasileiros, e nos convida para um mergulho em preto e branco. Viagem ao fundo do mar, do inconsciente, rumo ao desconhecido revelado em linhas que constroem rendas, teias, arabescos, seres ou fragmentos orgânicos, ilhas, flores, neurônios. São formas criadas em equilíbrio entre gesto e detalhe, ressonâncias e reentrâncias que sugam o olhar para um universo liquido de delicadeza e preciosismo, um passeio por profundezas que se descortinam para o espectador com o impacto de um céu estrelado, uma paisagem submersa, uma viagem ao centro da terra ou ao cerne do ser humano.

Chachamovits não olha para as coisas do mundo, fala a língua do sublime, se apodera do alfabeto dos sonhos, medos e desejos mais profundos para criar pinturas e desenhos carregados por uma atmosfera de melancolia, esperança e intimidade que se fazem reais através da observação atenta da flora e fauna marinhas em um mergulho interno de encontro a um espaço celestial, obscuro e fantástico de rara e etérea poesia visual.. Em suas composições, constru - ídas por camadas de papéis de diferentes texturas e gramaturas, emergem cenas abstratas, campos sensuais, femininos em toda a sua complexidade de detalhes tramados por olhar atento e nanquim comandado por traço seguro, cuidadoso, cirúrgico.

Impossível pensar a obra dessa jovem artista sem remeter o olhar às décadas de transição entre os séculos XIX e XX, quando o Simbolismo apontava para caminhos individualistas nos quais ao fundo se via a beleza em suspensão e a Art Nouveau tomava as rédeas da estética com suas formas orgânicas e livres, porem arquitetônicas, prontas para criar complexas coreografias para o olhar, como nas composições de Klimt. Já no recente momento da arte contemporânea brasileira, a arte de Chachamovits estabelece diálogo íntimo com algumas das mulheres que estão escrevendo esse capítulo da história, como Beatriz Milhazes, Janaina Tschäpe e Sandra Cinto, artistas que mergulham em universos fantásticos de formas, idéias e composições, onde a beleza se cria a partir de pequenos prazeres e detalhes.

Carlito Contini
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